Escândalo na Saúde: “Será que estamos pagando uma empresa fantasma, uma empresa ‘laranja’?”

Vereador Mateus em Tietê-SP, em frente à "portinha sem ninguém", sede da empresa que tem contratos de R$ 17 milhões com a Prefeitura de Jaú (FOTO: Arquivo pessoal/Mateus Turini - Reprodução HoraH)

Vereador vai à caça da sede da empresa Daher e Mansur em Tietê, que fornece médicos para a Prefeitura de Jaú por contratos que ultrapassam R$ 17 milhões, e encontra “uma portinha, sem ninguém”; CASO SEGUE NA JUSTIÇA

Vereador Mateus Turini (PDT) sacudiu novamente a Câmara de Jaú ao apresentar imagens da sede da clínica médica Daher e Mansur em Tietê, região de Campinas, que soma contratos no valor de R$ 17,3 milhões com a Prefeitura de Jaú para fornecer profissionais para a Secretaria da Saúde. Diante de “uma portinha, sem ninguém”, ele narrou: “O que nós temos ali é uma empresa que nem a recepcionista (do prédio), que trabalha ali há mais de um ano, reconhece nem pelo nome nem pelos empresários”.

Ele gravou diálogo com a recepcionista (que não foi identificada), que desconhecia a empresa ou qualquer um dos quatro sócios. “Com esse nome eu não conheço”, diz a moça, que cita várias empresas e negócios que funcionam no endereço comercial. “Acho que é um pessoal novo que mudou. Mas nunca vieram aqui até hoje”. Segundo Mateus apurou, a clínica se transferiu para o prédio “há uns dois meses”, depois de deixar um endereço residencial onde a fachada é de um salão de cabeleireiro.

O vereador ironiza dizendo que a Daher e Mansur tinha “capital de 200, 300 mil (reais), agora é de um milhão e meio (de reais), mas a humildade permanece, tanto que foram para um prédio comercial, bonito, onde se instalaram numa portinha que não tem ninguém”. Ele foi a Tietê depois de ligar insistentemente e não conseguir falar com nenhuma pessoa da empresa, que faz parte de representação à Polícia Federal, MPF, Tribunal de Contas da União (TCU) e do Estado (TCE), e, agora, de Ação Popular que cita fraudes em pagamentos de horas-médicas e outras irregularidades.

Daher e Mansur e clínica Archangelo, que possui mais R$ 14,7 milhões em contratos para também fornecer mão de obra médica à Prefeitura, fazem parte do pedido do vereador à Justiça para terem bens bloqueados para ressarcimento de R$ 22,2 milhões de prejuízos causados aos cofres públicos, que são valores já pagos a elas. Estão igualmente citados o prefeito Ivan Cassaro; o representante da Daher junto à Prefeitura, Stefano Pessa; a secretária da Saúde Ana Paula Rodrigues e a adjunta Mariana Andrade dos Santos, que é sobrinha do prefeito.

Antiga sede da Daher em Tietê, num endereço residencial (FOTO: Reprodução TV Câmara)

REPÚDIO – Depois de fazerem B.O. contra o vereador há 15 dias, quando as denúncias explodiram na Câmara, Ana Paula e Mariana emitiram Nota de Esclarecimento e Repúdio afirmando que as acusações de Mateus foram lançadas para “confundir o público com dados e informações não condizentes com a verdade dos fatos”. Falando sempre na terceira pessoa, elas dizem também que o vereador polemiza o assunto “sem comprovação”, que ofende a dignidade das pessoas e profissionais da saúde e, por fim, que “se pronunciarão nos autos do processo mencionado” por Mateus. Apesar de somente vir a público nesta 3.a feira 11, o documento é datado do dia 4.

Ao HORAH, Mateus disse que “uma nota de repúdio sem timbre oficial da Prefeitura ou da Secretaria de Saúde, ‘assinada’ sem assinatura, praticamente apócrifa, sem apoio institucional, coletivo ou popular, não significa nada”. Para o vereador, é uma manifestação “esquizofrênica” da secretária da saúde e da adjunta, que deveriam “pedir demissão dos cargos comissionados e deixar o Município se recuperar do dano causado pela péssima gestão delas”. Por fim, que ele analisou “8 mil páginas de documentos” que comprovam cada acusação que fez.

Nesta 4.a feira 12, MATEUS TURINI VAI FALAR AO VIVO no programa HORAH Jaú a partir das 11h30, com transmissão pelo Facebook, YouTube, Instagram, portal www.horahnoticia.com.br, página Vem Pra Rua (do Magesto) e rádio Pérola FM 96,5.

Nota de Repúdio divulgada pela secretária da Saúde e a adjunta: sem assinatura nem timbre no papel (FOTO: Reprodução redes sociais)

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