Pronto-Socorro – SEMANA SERÁ DECISIVA PARA PREFEITURA E SANTA CASA

Repasse do dinheiro ainda não tem data definida, mas ajudará a cobrir déficits financeiros do hospital (FOTO: Reprodução web)

CONVÊNIO VENCE DIA 30 E REUNIÃO NESTA 2ª FEIRA VAI DISCUTIR RENOVAÇÃO OU ROMPIMENTO; confira argumentos dos dois lados

Clínico geral no lugar de pediatra na policlínica Bernardi e ginecologista no Pronto Socorro Infantil (PSI) da Santa Casa de Jaú. Esses dois casos relatados na câmara pelos vereadores Marcos Brasil e Rodrigo de Paula, respectivamente, levaram a secretaria da Saúde a se manifestar na última 6ª feira 24, momentos após o assunto ser abordado pelo HORAH. E ampliou a queda-de-braço entre a prefeitura e o hospital.

O foco da secretária Ana Paula Rodrigues foi o PSI, cujo serviço é contratado pela prefeitura junto à Santa Casa ao custo mensal de R$ 2,4 milhões. “Esse médico [ginecologista] não começou a atender hoje, ele já vem há anos fazendo o atendimento de pediatria, não é dessa gestão”, explicou. A secretária também fez questão de destacar que no convênio com o hospital “está bem claro: contratação de pediatra”.

Ana Paula diz que hospital já foi notificado sobre pediatra (FOTO: Reprodução/Marcos Soares)

Esse conflito se acentuou na atual administração e terá semana decisiva a partir desta 2ª feira 27, visto que o contrato vence no dia 30. Porém, ele não se resume a ginecologista no lugar de pediatra, profissional em falta no mercado. As queixas relatadas pela população passam principalmente pela demora de muitas horas no atendimento às crianças. “A gente repassa o dinheiro e o convênio pede a contratação de um profissional pediátrico. Inclusive as providências já foram tomadas e a Santa Casa foi notificada”, disparou Ana Paula.

Pisando em ovos para não acirrar mais ainda o conflito, a direção da Santa Casa emitiu nota informando que amanhã vai se reunir com o prefeito Ivan Cassaro. “Esperamos que sejam equacionadas todas as questões em pauta”, disse. HORAH apurou que a questão do pediatra será respondida com suporte do Cremesp-Conselho Regional de Medicina do Estado, já que tem ocorrido em outras localidades, também. E que há consenso no hospital de que “o próprio município enfrenta a mesma dificuldade” – tanto que no Bernardi, um clínico atende crianças.

Um membro da diretoria hospitalar garantiu ao HORAH que a reunião com o prefeito será feita “em paz, sem discussão”, mas com foco em “renovar ou não” o convênio do Pronto Socorro. “Prestamos contas mensalmente de todo o dinheiro que é repassado, então a prefeitura conhece a nossa realidade. Por isso, o que for decidido na reunião, 3ª feira vamos informar ao Ministério Público”, disse. As queixas existem dos dois lados, tanto que a reportagem soube que “uma ala da Santa Casa há muito tempo quer devolver” o serviço de pronto-socorro à prefeitura, visto que se tornou “a causa de todos os problemas no hospital”.

A explicação é simples: com o pronto-socorro conveniado com a prefeitura, a Santa Casa trabalha no sistema ‘porta aberta’ que recebe todo tipo de paciente; sem o convênio, o hospital pode trabalhar de maneira inversa, a chamada ‘porta fechada referenciada em urgência e emergência’, recebendo somente pacientes graves. O entendimento que prevalece no hospital é de que a ‘porta aberta’ não é serviço da Santa Casa e, sim, da prefeitura com a sua rede básica de saúde. O dilema será o foco da reunião desta 2.a feira.

HORAH – A VERDADE DOS FATOS