Agonia – MAIOR HOSPITAL PSIQUIÁTRICO DA REGIÃO PEDE AJUDA PARA HONRAR SALÁRIOS E NÃO FECHAR

No final de 2019, diretores do Tereza Perlatti falaram ao HORAH na Rádio Piratininga de Jaú e alertaram para graves problemas financeiros (FOTO: HoraH)

Diretoria já foi falar com o prefeito; solução precisa surgir nos próximos dias

Aos 61 anos, o maior e mais estruturado hospital psiquiátrico da região corre sério risco de deixar funcionários sem o 13º salário e até de fechar as portas. Falta dinheiro para manter o Tereza Perlatti de Jaú, que atende pacientes de 68 municípios, interna 99% pelo SUS e, há 3 anos, acumula déficit em torno de R$ 200 mil/mês. Literalmente de chapéu na mão, a diretoria estuda fazer o que nunca fez: pedir doações à população e tentar empréstimo bancário – o que depende, entretanto, de fluxo de caixa.

“Recebemos pacientes psiquiátricos, neurológicos, de dependência química, de depressão – hoje as tentativas de suicídio estão aumentando muito, principalmente entre os jovens”, esclareceu o presidente da regional Jaú da USE (União das Sociedades Espíritas), que retomou a administração do hospital em outubro de 2018, Antônio Aparecido Rossi, o Toninho.

Eduardo já esteve com o prefeito Rafael e Toninho não descarta financiamento bancário; saída momentânea é pedir ajuda à população, o que o hospital nunca fez, por entender que sua manutenção é obrigação do Estado (FOTO: HoraH)

CONTA NÃO FECHA – “Não devemos nada a fornecedores, nem salários dos funcionários, mas temos três dissídios atrasados e encargos”, disse. É fácil entender porque as contas não fecham: pacientes-moradores, egressos de unidades já fechadas no Estado, custam R$ 120/dia e o governo repassa só R$ 40; obrigatórias, internações judiciais são custeadas a R$ 70/dia e, após 90 dias, caem para R$ 50. São 300 leitos no Tereza Perlatti, todos ocupados.

Pior é a pressão. “A gente tem alguns dias para resolver o futuro do hospital”, resumiu Carlos Eduardo Teixeira, também da diretoria. Ele foi falar com o prefeito Rafael Agostini e desmistificou a ideia de que as prefeituras são impedidas de destinar recursos. “Se entender que a entidade é de utilidade pública, como é o caso do hospital, não existe nada que impeça a Prefeitura de ajudar”, pontuou, apresentando cópia do Comunicado nº 10/2017, em que o Tribunal de Contas do Estado (TCE) deixa isso claro.

Os radialistas Hailton Medeiros e Arthur Filho conversaram com os diretores do Tereza Perlatti: agonia do hospital é preocupante (FOTO: HoraH)

URGÊNCIA – “O prefeito não sinalizou contra, conhece a legislação, mas temos urgência. Estamos no final do ano e em 2020, por ser ano de eleição, não se pode fazer subvenção nem convênio. Falta tempo hábil para montar um plano de trabalho que seja aprovado pela Câmara”, observou Eduardo. “Vamos ter de fazer campanha junto à população para levantar recursos e cobrir as necessidades mais urgentes. Se não conseguirmos, corremos o risco de fechar as portas”, lamentou Toninho.

SOBRA DA CÂMARA – Uma alternativa plausível seria a Prefeitura destinar parte da devolução do duodécimo da Câmara neste fim de ano. “Os vereadores querem ajudar, já fizeram indicações, mas depende do prefeito”, lembrou Eduardo. Em resposta a uma dessas indicações, a Prefeitura informou à Câmara que a sobra orçamentária do Legislativo será usada para quitar o 13º dos servidores, para desespero da diretoria do Tereza Perlatti.

AJUDA – Quem tiver sugestões e propostas ou quiser ajudar, pode falar com as funcionárias Eva Torelli e Carol Borgo, no telefone (14) 3601-8282. “Me coloco à disposição para conversar e explicar nossa situação. Vamos fazer de tudo para honrar os compromissos e manter o hospital funcionando”, concluiu o presidente Toninho.

Tereza Perlatti tem 61 anos e nunca fez empréstimo bancário nem pediu ajuda à população, mas os tempos mudaram – e muito (FOTO: Reprodução Redes Sociais)

HORAH – Jornalismo com Responsabilidade